Maybe more than I should;
Lembro-me da coloração do céu naqueles dias, de um tom de azul singular, quase índigo, que era possível de assistir até mesmo por de trás da neblina. Lembro-me do frescor das manhãs quando já cedo abria a janela, apenas para sentir o frio corroer meus ossos. Imaginava se acordarias logo, para esquentar meu corpo em um difuso e desejado abraço. Percorria então a casa, envolta em um cobertor de motivo xadrez, preparando o café e procurando um filme na televisão. Deitávamos lado a lado e esquecíamo-nos do tempo, tão alheio a nós dois. Às vezes caminhávamos, no final da tarde, reconhecendo as luzes da cidade, de mãos dadas. A simplicidade dos detalhes adornava a situação, tornando os passos românticos e arrastados. Eu acumulava beijos, acumulava sorrisos, acumulava um mundo que criava em meu peito. Lembro-me de como era feliz, naqueles dias frios, em que o sabor do vento assemelhava-se ao doce do mel. Até mesmo do cheiro daquelas manhãs me recordo, ah se recordo! Mas não sinto o pesar do verão, com toda sua vibração infantil. Repito a minha própria alma, talvez mais do que de devesse – é um novo começo, é um novo começo.
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