Like puzzle pieces;

Ela andava com os pés firmes e movia-se delicadamente, emitindo o ruído mais delicioso que ele já ouvira. O tintilar do seu salto alto naquele piso frio fazia as mãos dele suarem e o trambalear de seu vestido era apenas o suficiente para deixá-lo sem ar por alguns segundos. Era sem dúvida a criatura mais bela que ele já avistara, e não se parecia em nada com as garotas que costumava abordar naquele lugar – fêmeas de aspecto vulgar, com o copo de bebida meio cheio na mão e os corpos suculentos envoltos em vestidos justos e curtos, perfeitamente estereotipadas. Via-se imóvel ao lado daquela deusa mística e imaginava para qual dimensão havia sido impelido, tão magnífica era aquela cena. Ele desviava constantemente o olhar a fim de parecer menos interessado e, quando retornava, percebia que ela fitava-o em toda sua graça, com um sorriso terno e afável. Estendeu então suas mãos para acariciar aqueles dedos brancos e suaves e foi ao encontro de seus lábios. Suspeitava que fosse rejeitado com aquele gesto inconseqüente, porém, qual fora sua surpresa quando sentira aquelas mesmas mãos acariciando em fúria sua nuca. Ficaram os dois envoltos em suspiros, sem entender realmente o que acontecia, mas na certeza de que todas as estrelas se alinhavam naquele momento. Levou-a para casa e despediu-se. Já na cama, encarava o teto, entorpecido, desnorteado. Não havia sentido naquilo tudo, tentava imaginar quão paradoxal era a imagem que tinha de si mesmo até poucas semanas atrás. Aquele sentimento era maior do que sua razão podia explicar, e engolia sua sanidade com anseio, até que seus olhos cansados se fechassem, para que sonhasse com ela.

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