The departure;

Havia perdido sua alma, sem dúvida. Não fora vendida, nem trocada por uma mais intensa, simplesmente a abandonara em seu último abrigo. Não sentia mais o sonar de seu pulso e isso trazia a ela um sentimento de alvedrio, de esquive. Agora que a vida fugia de si, podia observar com nitidez a paranóia daqueles seres que caminham sobre suas pernas, correndo sem prudência atrás de objetivos mesquinhos. Se apenas em um daqueles dias ensolarados, em que sentira seu coração leve, a vida lhe houvesse concedido mais alguns segundos de paz, quem sabe, quem sabe seria diferente. Ouvira dizer que tudo isso a tornaria mais forte.


– Quão tolos são homens, quão tolos! Observa como funcionam suas mentes conturbadas, retorcem seus músculos de dor e desprazer. Compara os momentos de alegria e piedade, com aqueles de angústia e diz-me, de que vale?!


Não há ninguém na sala em que habita aquele corpo vazio, enquanto sua voz suave desfalece e seu rosto torna-se pálido como a neve que nunca vira. Mas perdoe-me, pois não saberia dizer, se isso significa que está feliz, se eu mesmo ainda não saberia definir a felicidade.

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