What is it anyway?

Descobri recentemente que Platão estava errado a respeito do amor. Talvez todos estivessem. Levei-me a acreditar que tua fria lógica pudesse ser considerada uma demonstração de afeto. Quando me beijavas, porém, toda a admiração se aplacava. Detalhes que não podias esconder por debaixo de grandiosas palavras, portanto abominavas. Deixei que me fizesse de marionete e coloquei-me a seus pés suplicando permissão para conhecer tua alma, mas te recusaste. Provavelmente fora melhor desta forma, considerando a semelhança entre tua alma e um espaço negro e vácuo. Estes dias, um estranho me contou alguns segredos, fazendo-me sentir especial, como nunca o fizeste. Perguntei-me como um estranho poderia dedicar-me aquelas belas memórias, seus anseios mais profundos. Realizei-me esta é uma ação comum a todos aqueles que têm coração. Abri-lo, explorá-lo. Coisas estas que nunca fizeste, obviamente. Falavas de tantas coisas com propriedade, do sol, do mar, da política – até do amor! Falava deste como se fosse negável de emoções, como um órgão acuado dentro de um cadáver. Finge para ti mesmo que sabe de onde vens e para onde vai, para que não te depares com o imutável. Não te arrependes de quem deixas para trás, acreditas que é um ser superior que pode brincar com os sentimentos alheios, com aquele sorriso cínico no rosto. Gosta de sentir que é maior do que o espírito que te fez. Quem sabe um dia tu descubras que vives de mentiras. Talvez não. Quem sabe, quem saberá, já que não cabe mais a minha boa vontade ajudá-lo a descobrir.

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