A change is gonna come

Vivi 14 anos me adaptando as mudanças, fingindo que conhecia estranhos, que se tornavam cada vez mais tediosos. Acostumava-me rapidamente aos novos programas, aos novos vizinhos, as novas plantas no jardim. Quando aquilo terminava, ficava na porta de casa ouvindo o caminhão de mudança levar minhas breves certezas. Vivia feliz com o presente, sem pensar muito no futuro. Eu passava pelas ruas, pelas casas, pelos relacionamentos, como um fantasma. Atravessei mais um ano assim, feliz com as incertezas, mas o tempo passou, e eu fiquei. O mundo se tornava cada vez mais simples, mais familiar. Eu conhecia as pessoas que estavam lá, os aromas, as meias verdades. Comecei a planejar um futuro, a confortar-me com o conhecido. Acreditei que aquele era meu fim, que estava escrito, acreditei em destino. Destino não existe, me alertaram. Disseram que aquele lugar não era o bastante para mim, não tive fé. Aquilo era suficiente para mim, eu dizia, para me fazer feliz. A confiança de um abraço ao amanhecer, uma palavra comum, era tudo que eu precisava. Estava errada. Pasmem! Estava tão errada. Minha intuição me alertou para não crer na perfeição da rotina tantas vezes. Não mais. Sou eu novamente, com vontade de mudar, com o coração aberto para o erro. O que aconteceu nas entrelinhas não importa, o que importa é que estou viva, tão viva.

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