Another love song, or not
13h21. Quatro horas até o final do expediente. Este final de semana, ela sairá com seus amigos, festejará a solidão tão merecida e dançará até cair sobre seus joelhos. Quatro horas. Às vezes, o tempo parece infinito, não parece? 13h23. Seus olhos parecem duas jabuticabas verdes fixas na tela do computador empoeirado. Nenhum sinal de adrenalina. Uma súbita vontade de deixar tudo para trás, de sair correndo para lugar nenhum. Atravessar o mundo para sentir aquele vazio se inchar de promessas. Ele citará Tólstoi, largado em uma cadeira baixa, ao som de uma música que ela não lembra o nome, mas que jura ter ouvido em algum outro lugar. Dirá identificar-se com Anna, toda aquela vida trancada dentro de sua pele. Seus olhos se encontrarão sobre a mesa suja. Será tarde demais para explicar como chegaram ali. O suor percorrerá seu pescoço fino, um tremor inexplicável, que viaja por entre seus dedos frágeis.
14h45. A imagem daquele sonho ainda está nítida em seus olhos vidrados. O que acontece depois? Ele continua sentado naquela cadeira, sua respiração tão calma quanto sua alma. É a experiência, o tempo que faz isso com a gente. Ela não entende, pois sua respiração cresce ofegante. Ela se inclina para frente, roçando as costas de suas mãos em seu pescoço. Um movimento inesperado e com seu rosto próximo ao dele suplica pelo próximo passo.
14h52. Não é um beijo, é um pedido de socorro. É descontrolado, como o tempo suspenso no ar, preso por fios de nylon tão finos quanto sua esperança. A sala se torna pequena demais para tantos desejos. Ela quer ouvi-lo falar seus segredos, quer regozijar-se em prantos, enquanto a dor transforma-se em poesia.
14h58. Qual o limite? Até quando posso me confortar em suas palavras, em momentos perdidos, entre horas acordada e horas sonhando.
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