Ensaio 05
Os dias se aproximavam em contagem regressiva, insinuando o futuro próximo - mas seus pensamentos continuavam atrelados ao passado. Esta pesada consciência que possuía de si mesma era como um fardo que a impedia, muitas vezes, de sentir tudo que desejaria ou deveria. Na medida em que os fatos tomavam seu rumo impreciso, entre os dias e as noites (especialmente as noites!) sua alma contorcia-se em amargura. Queria adiantar a reinação daqueles relógios que tocavam precisamente às 21 horas, toda semana, como se a opressão de seus pensamentos fosse à única opção - o início, o meio e o fim. Suas palavras soavam em seu coração como estrondos, relâmpagos na trovoada de chuva fria e constante. Observava que estava perdida e sabia com clareza de suas opções, porém, nenhuma lhe agradava. Concordava, excepcionalmente, que o tempo era a única alternativa. A espera eterna, que se concretizava ao soar daqueles relógios, exatamente às 21 horas.
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