Frozen Yogurt - delícias da vida


Lembro-me bem do sabor daquela iguaria, é uma das poucas coisas que lembro na verdade - além do capuccino que minha mãe me levava para tomar algumas quadras daonde morávamos - pois eu era uma criança, recém saída das fraldas naquele tempo. Era um doce angelical com toque amargo que dava pontadinhas na cabeça de tão gelado. É engraçado, pois passei minha vida inteira levando minhas trouchas para cima e para baixo. Quando era uma adolescente gostava de dizer aos quatro ventos que havia passado cada ano de minha vida em um local diferente. Cada lembrança era - e ainda é - exclusiva de uma pequena vida que tive em algum destes lugares. O coral em São Bento do Sul, o nada (literalmente) em Mandirituba, as poucas casas no Jacú-Açú... E foi assim com o frozen. E a primeira vez que experimentei minha sobremesa favorita foi quando ainda morava em São Paulo, no América, um restaurante que ainda visito em minhas breves viagens pela cidade. Alguns anos depois, o frozen foi redescoberto em um shopping em Curitiba, filho único, coitado, a máquina vivia estragada. Então, final de semana sim, final de semana não (culpa da máquina), o frozen deslizava suavemente pelos lábios famintos. Porém, eventualmente, Curitiba também saiu dos planos familiares e continuamos nossa busca pelo local mágico. O qual viria mais tarde a descobrir que é apenas uma dessas utopias das quais achamos que ouvimos falar. Pois cá estou, Jaraguá do Sul, já fazem 5 anos (acredite!) e ainda não consegui me acostumar. Talvez porque a verdade seja que eu não queira me acostumar. Mudar é um ato que já está preso a minha alma, é como se houvessem asas em mim que batem mais forte do que meus pés conseguem fincar no chão. E o sabor do frozen parece gritar meu nome, baixinho - Anne, volte, Anne...

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